Como a pornografia arruinou minha família

Este é o relato real de uma mulher que ainda sofre as consequências dos anos em que seu marido viveu viciado em pornografia.

A melhor descrição sobre as consequências da pornografia que já ouvi foi:

“A pornografia que entra na via de uma família é como uma casa que parece estar em ordem, bem e arrumada, mas por dentro, em suas paredes, no chão, dentro dos móveis, onde ninguém enxerga, ela está sendo comida e destruída por milhares e milhares de cupins famintos. ” Esta casa cairá, nada se salvará, nem roupas, ou objetos, nem sua estrutura ficará em pé. É a maldição que não se vê, mas se sente, é a ausência, o egoísmo a duplicidade de vida, o que está escondido, mas corroe tudo que um dia foi bom, o que foi construído com suor e amor passa a não ter valor algum.

Já percebia há alguns anos uma mudança, um distanciamento grande, o homem que era atencioso, prestativo e muito carinhoso, estava se tornando frio, egoísta e isolado.

Em minha vida e em minha família é algo que ainda estou no processo de compreender, não sei se um dia terei total consciência do quanto fomos todos afetados e das perdas que sofremos.

Minha vida mudou completamente em julho de 2014 quando após voltar de uma viagem com meus filhos, encontrei meu marido totalmente diferente e mudado. Já percebia há alguns anos uma mudança, um distanciamento grande, o homem que era atencioso, prestativo e muito carinhoso, estava se tornando frio, egoísta e isolado. Durante o primeiro semestre de 2014 tive alguns problemas de saúde e a frieza dele era tão grande que não havia preocupação alguma com meu estado ou com as crianças que dependiam do meu cuidado.

Em julho o seu descontentamento ficou claro, com ações e palavras, meu marido dizia que não via mais propósito em estar casado, começou a trabalhar mais e mais, se ausentar, e mudou seu tratamento até com os filhos.

Após muitas conversas a intenção do coração dele estava clara, ele não sentia mais nada por mim e queria sair de casa. A minha batalha começou em oração e atitudes de amor, já que quando ele era questionado, nunca assumia responsabilidade por nenhum de seus atos, mas me atacava livremente como se tudo que estava acontecendo fosse minha culpa, eu era a vilã de toda a história.

Minha vida sexual já estava muito ruim, mas tornou-se péssima, ele nunca queria se relacionar e quando aceitava, me sentia como uma prostituta ou um objeto que existia para satisfazê-lo.

Os ataques verbais, o descaso e desrespeito se tornaram a cada dia mais frequentes e pude perceber nitidamente que seu comportamento era fruto de pecado e brechas que ele tinha aberto em sua vida.  Esta clareza não existe quando vivemos uma guerra constante em casa, nosso senso de valor e amor próprio é atacado, e certas mentiras que já existiam em minha mente foram confirmadas com as palavras. Achava muitas vezes que eu era culpada de tudo, que era feia, que não era atraente.

Minha vida sexual já estava muito ruim, mas tornou-se péssima, ele nunca queria se relacionar e quando aceitava, me sentia como uma prostituta ou um objeto que existia para satisfazê-lo. Fazia de tudo para conquista-lo, e depois me sentia um lixo, usado e jogado fora.

Estava doente emocionalmente e fisicamente e decidi que pelo bem dos meus filhos não poderia mais suportar aquilo. Foi quando dei um ultimato para que ele confessasse o que estava acontecendo e decidisse melhorar ou que saísse de casa.

No final de outubro depois de muita pressão, ele confessou seu vício em pornografia e que havia há alguns anos me traído com uma moça do seu trabalho.

A insatisfação é outro traço do viciado em pornografia, pois a ilusão de ter aquilo que é mostrado e não é real, torna-se a expectativa diária do homem.

Depois de perdoá-lo, orar, tivemos relação sexual, e ele nem olhou na minha cara, foi para sala jogar vídeo game. Aquilo me feriu tanto, que não conseguia suportar.

Neste meio tempo várias coisas foram acontecendo em minha casa, fomos assaltados, meu filho sofreu um grave acidente, nosso carro foi roubado, meu filho caçula vivia doente, nossa casa foi atacada por pestes, até um pedaço do teto caiu na minha cabeça. Estava exausta e sem forças, mas continuava crendo que Deus nos alcançaria. Recebi suporte de amigas maravilhosas que oravam comigo e me encorajavam.

Entendi que a objetificação do ser humano é algo terrível e que não está apenas reservado ao ato sexual, mas a todos relacionamentos.

depressed-man-medComecei a ler sobre a pornografia e o vício, o que isso representava, comecei a entender que a pornografia leva a depressão e que a depressão masculina é muito diferente da feminina, e estava levando o meu marido a ser tão agressivo e sempre nos culpar pelos seus problemas, a vida dupla que ele levava fazia com que ele passasse tanto tempo no celular ou computador, sempre desligado do mundo atual, dos filhos, da família. Entendi que a objetificação do ser humano é algo terrível e que não está apenas reservado ao ato sexual, mas a todos relacionamentos. Meu marido tratava seus funcionários como se fossem seus servos, sem respeito, as pessoas tornaram-se descartáveis, os comentários eram sempre de crítica e intolerância.

A insatisfação é outro traço do viciado em pornografia, pois a ilusão de ter aquilo que é mostrado e não é real, torna-se a expectativa diária do homem. Comecei a compreender por que há tantos anos, me sentia feia e descontente com meu corpo, e porque nos últimos meses a ideia de fazer uma cirurgia plástica para melhorar minha aparência não saia da minha cabeça. Já existem estudos que comprovam que regiões onde há mais consumo de pornografia, há também o maior número de cirurgias plásticas.

O egoísmo que se mostrava tão frequente em um homem que era conhecido por servir os outros, também era resultado de uma realidade pornográfica onde o homem é o centro e todos ao seu redor estão ali apenas para servi-lo e satisfaze-lo, mulheres não tem desejo próprio, estão lá para agradar de qualquer forma necessária o HOMEM.

…recebi um resultado de exame ginecológico que dizia que estava com HPV…

Tudo que lia me ajudava a compreender, mas ainda via no meu marido comportamentos que refletiam essa realidade, mesmo que ele não tivesse mais assistindo ou tendo acesso a pornografia. Via mudança no seu desejo de ficar em casa, mas ainda parecia que era um favor que ele estava fazendo para mim. O que me levou a suspeitar que nem tudo tinha sido revelado.

Em janeiro recebi um resultado de exame ginecológico que dizia que estava com HPV, e que o tipo era o que poderia desenvolver Câncer de colo de útero, fiquei péssima, comecei a questionar novamente o que estava acontecendo, e meu marido sempre relatando o mesmo.

Voltei a ficar muito doente e procurava provas de que ele estava mentindo, suas atitudes estavam melhorando, mas ainda ele era distante, muito volátil e agressivo com palavras quando era questionado.

Ele também confessou ter se relacionado por duas vezes com prostitutas, além de frequentar prostíbulos com frequência.

Em maio tivemos uma conversa decisiva, pois não encontrei nenhuma prova das muitas viagens a trabalho que ele tinha feito no ano anterior. Foi quando ele confessou que tinha tido um caso por 4 meses com uma mulher.

Mais uma vez perdi o chão, fiquei mal, mas decidi perdoar e tentar recomeçar, ainda assim via nele atitudes que não mudavam. Depois de muitas conversas e confrontos em julho descobri que estávamos falidos, ele havia gastado todas as nossas economias, e me encontrava com muitas dívidas altas, com nome sujo, e ações judiciais em meu nome. Ele também confessou ter se relacionado por duas vezes com prostitutas, além de frequentar prostíbulos com frequência. Também tive acesso aos gastos que ele teve com o relacionamento extraconjugal, presentes, viagens, hotéis.

Pude sentir na pele as consequências de um vício que vem desde sua adolescência e que cresceu de tal forma que o transformou em outra pessoa, que jogou tudo fora, que colocou os próprios filhos em situação de perigo, que perdeu a confiança de todos, que mentiu para todos seus amigos, familiares, igreja, trabalho, para satisfazer os desejos da carne.

…meus olhos foram abertos a um mundo que sempre existiu, mas foi preciso tanto sofrimento e dor para que eu o enxergasse.

Estamos em um processo longo e difícil de cura, ainda vejo muitas coisas nele que são fruto de muito anos de segredo, mentiras, isolamento de uma vida dupla, mas vejo o seu desejo em vencer tudo isso.

O acesso a ajuda e informação também atrapalhou muito, faltam recursos e pessoas preparadas para lidarem com esses problemas. Hoje sei que os efeitos da pornografia na identidade de uma pessoa demoram de 2 a 3 anos para serem curados, por isso tenho um bom caminho pela frente.

Computadores, celulares, tablets, podem ser aliados, mas hoje são meus inimigos, viver em um mundo onde estamos expostos a pornografia e o acesso é tão fácil, faz do nosso dia a dia uma batalha, filmes, seriados, propagandas, me fazem mal, todos são extremamente sensuais, meus olhos foram abertos a um mundo que sempre existiu, mas foi preciso tanto sofrimento e dor para que eu o enxergasse.

 

Você conhece outras histórias?

Compartilhe conosco!

Categories: DepoimentosTags: , , , ,

Comments

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *